A relação entre a microbiota intestinal e as DCNT ainda não é totalmente esclarecida. Entretanto, estudos indicam que o ambiente intestinal, quando alterado, pode produzir substâncias que favorecem a inflamação sistêmica de baixo grau. E este seria um dos mecanismos fisiológicos para o desenvolvimento das DCNT. Além disso, a microbiota atua na regulação do sistema endócrino, favorecendo o desenvolvimento ou a perpetuação dessas doenças. Para avaliar os benefícios de frutas brasileiras para a microbiota, pesquisadores do Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da UFPB desenvolveram a revisão científica ‘Evidence for the beneficial effects of Brazilian native fruits and their by-products on human intestinal microbiota and repercussions on non-communicable chronic diseases – A Review’.
O estudo comprovou que polpa, casca e semente de frutas nativas brasileiras, como açaí, baru, buriti, jabuticaba, acerola, goiaba, juçara e maracujá, poderiam ajudar para uma microbiota intestinal saudável. “Essas frutas são riquíssimas em compostos bioativos que podem modular de maneira positiva a microbiota intestinal, além de mostrarem efeito anti-inflamatório e antioxidante quando presentes na alimentação balanceada”, acentua a pesquisadora Maiara da Costa Lima, principal autora do estudo. Os compostos bioativos não digeridos ou absorvidos durante a passagem pelo trato gastrointestinal chegam ao cólon e ficam disponíveis para serem metabolizados pela microbiota intestinal.
De acordo com a autora, a metabolização desses compostos poderia estimular o crescimento de populações microbianas específicas que promovem benefícios à saúde. “Os compostos podem modular a microbiota e levar a efeito anti-inflamatório e antioxidante, quando presentes na dieta balanceada”, acentua. O estímulo à microbiota pode proporcionar diversos benefícios fisiológicos, como melhora da saúde intestinal, aumento da diversidade e abundância microbiana, além de colaborar para a produção de substâncias capazes de inibir o crescimento de microrganismos patogênicos, regular o apetite e reduzir processos inflamatórios.

