O Ministério da Saúde, em parceria com instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realizou o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI) para obter um retrato atualizado da nutrição infantil no Brasil. O foco foi avaliar a prevalência dos indicadores de aleitamento materno, as práticas relacionadas e o uso de mamadeiras, chuquinhas e chupetas entre crianças menores de dois anos de idade.
A primeira edição foi realizada em 2019 com 14.558 crianças menores de dois anos e mostrou que 96,2% foram amamentadas em algum momento, enquanto 62,4% foram amamentadas na primeira hora de vida. A prevalência do aleitamento materno exclusivo em menores de seis meses foi de 45,8%, com maior prevalência na região Sul. Já o aleitamento continuado no primeiro ano de vida entre crianças de 12 a 23 meses foi de 43,6%, sendo mais prevalente na região Nordeste. A duração mediana do aleitamento materno exclusivo foi de três meses.
Aquém do preconizado
A enfermeira Eunice Francisca Martins afirma que, embora sejam números expressivos, ainda estão aquém do preconizado pela OMS. Além disso, a prática do aleitamento materno cruzado apresentou frequência relativamente elevada (21,1%), sendo maior na região Norte – apesar de ser contraindicada pelo Ministério da Saúde. Das mães com bebês de menos de dois anos ouvidas, 4,8% doaram leite materno para os bancos de leite humano – número muito abaixo do esperado –, enquanto 3,6% das crianças nessa faixa etária receberam leite humano ordenhado pasteurizado desses bancos.
O uso de mamadeiras ou chuquinhas entre as crianças com menos de dois anos de vida foi de 52,1%, sendo maior nas regiões Nordeste e Sul, enquanto a prevalência do uso de chupeta foi de 43,9%, com prevalência nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. “O uso desses artifícios para alimentar ou acalmar a criança pode prejudicar a continuidade do aleitamento materno”, enfatiza. Os números evidenciam a necessidade do fortalecimento de ações, políticas e programas de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e a nutrição infantil no Brasil.

