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Ressentimentos levam ao adoecimento

Escrito por: Fernanda Ortiz

A dificuldade de perdoar pode levar a um processo de adoecimento, pois, quando o ressentimento se torna tóxico e persistente, provoca uma alteração no eixo hipotálamo-hipofisário – responsável pela integração dos sistemas nervoso e endócrino. “Quando alterado, esse eixo pode causar estresse crônico e afetar o sistema imunológico, sendo um fator de risco para problemas que impactam a saúde física e mental”, explica o médico José Genilson Alves Ribeiro. Esses sentimentos emocionalmente desgastantes, ‘ruminados’ muitas vezes por anos, impedem o indivíduo de seguir adiante, dar um novo passo na vida e se libertar dessas amarras que causam dor, tristeza e ansiedade 

O cardiologista Álvaro Avezum Júnior acrescenta que achados na literatura apontam que existe uma associação entre indivíduos sem disposição ao perdão e doenças cardiovasculares. Por exemplo, sempre que uma situação ainda não perdoada é recordada, no corpo físico o evento é todo revivido. Essas memórias causam uma descarga de adrenalina e do hormônio cortisol que liberam marcadores nocivos ao equilíbrio interno, levando ao aumento da frequência cardíaca, vasodilatação e hipertensão arterial. Quando associados a hábitos de vida pouco saudáveis, esses eventos podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, especialmente em indivíduos predispostos. “Se isso ocorre ocasionalmente não há com o que se preocupar. No entanto, se o episódio é relembrado com regularidade, bombardeia o corpo com hormônios e marcadores que prejudicam o bem-estar, causam estresse crônico e aumentam o risco de um ataque cardíaco”, alerta.  

Em contrapartida, o ato de perdoar tem um fator protetivo para a saúde e para uma vida mais plena. De acordo com os especialistas, a literatura e a prática clínica sugerem que quando a culpa, o ressentimento e o rancor são absolvidos através do perdão, o corpo responde positivamente. Por exemplo, a redução do estresse em decorrência dos baixos níveis de cortisol – que são mais altos quando alimentados por pensamentos negativos – previne o risco de processos metabólicos, como o diabetes, e de hipertensão arterial, protegendo a saúde cardiovascular. Além disso, ocorre uma melhora na qualidade do sono e na fadiga, assim como o fortalecimento do sistema imunológico. Juntos, esses fatores contribuem para a saúde integral e podem ter um impacto positivo, inclusive na longevidade. 

Além da saúde física, o perdão traz benefícios significativos para a saúde mental e relacional, assim como à vida em família. O psicólogo e psicanalista Christian Dunker afirma que quando sintomas baseados em ressentimentos e na negação, de ódio, vitimismo ou culpa são liberados, o indivíduo se sente mais leve e emocionalmente equilibrado – tanto o que perdoa quanto o que é perdoado. “Além disso, pode apresentar melhora na autoestima, na autoconfiança, na saúde emocional e até mesmo no fortalecimento de relacionamentos, seja restaurando a confiança ou deixando partir aqueles que não agregam mais valor, abrindo espaço para novas conexões”, reforça. Todos esses aspectos contribuem para o bem-estar e a saúde mental, pois estão envolvidos na superação do sofrimento, no controle da raiva e do rancor, sintomas geralmente associados à ansiedade e à depressão.   

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