A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela intolerância ao glúten, uma proteína presente em alimentos como trigo, cevada, centeio, aveia e malte. Para gestantes diagnosticadas com a doença, a atenção à alimentação deve ser rigorosa, pois a exposição ao glúten pode comprometer a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê. Entretanto, com os cuidados nutricionais e acompanhamento médico adequado é possível ter uma gestação saudável.
De acordo com a nutricionista Paolla Almeida, do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, a base do tratamento é a exclusão total do glúten da dieta das gestantes. Essa medida é necessária, pois mesmo pequenas quantidades ou traços dessa proteína em alimentos podem desencadear sintomas. “Evidentemente, isso aumenta o risco de complicações como aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer ou restrição de crescimento fetal”, alerta.
Além da intolerância ao glúten, a gestante celíaca precisa estar atenta a possíveis deficiências nutricionais. Afinal, a gravidez exige uma ingestão adequada de macro e micronutrientes, como carboidratos, proteínas, vitaminas e minerais. “É perfeitamente possível obter esses nutrientes com uma alimentação natural rica em legumes, verduras, frutas, grãos e carnes”, acentua.
A nutricionista ressalta que não é necessário recorrer a produtos ultraprocessados para manter uma boa ingestão de carboidratos e fibras. Portanto, a chave é ‘desembalar menos e descascar mais’. “Uma dieta saudável e sem glúten não precisa ser complicada, pois alimentos como arroz, batata, inhame, abóbora, frutas, feijões, lentilha e vegetais crus são ótimas alternativas de substituição”, reforça.
Contaminação cruzada
Mesmo evitando alimentos com glúten, é fundamental prestar atenção à contaminação cruzada. Isso pode ocorrer quando um alimento naturalmente livre da proteína entra em contato com utensílios ou superfícies contaminadas. “Uma faca usada no pão ou uma bancada mal higienizada já são suficientes para causar sintomas como diarreia, dor abdominal, fadiga, anemia e até problemas na absorção de nutrientes”, explica a nutricionista.
Rótulos e suplementação
No Brasil, a Lei 10.674/03 exige que alimentos industrializados regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informem no rótulo sobre a presença ou não de glúten. “No entanto, é importante desconfiar de itens de origem artesanal ou sem registro. Na dúvida, o mais seguro é não consumir”, orienta a nutricionista.
A suplementação também pode ser indicada em alguns casos, mas sempre com orientação profissional. A nutricionista enfatiza que a dieta sem glúten é suficiente para uma gestação saudável, mas alguns nutrientes podem precisar de reforço, de acordo com as necessidades específicas de cada gestante.
Organização e apoio são essenciais
Para manter a rotina alimentar equilibrada é recomendado fazer refeições a cada três horas e sempre ter lanches seguros à mão, como frutas in natura, desidratadas, mix de castanhas ou barras de proteína sem glúten. Para gestantes com intolerância ao glúten, o acompanhamento com nutricionista e equipe médica é essencial para ajustar a alimentação conforme o progresso da gestação e os sintomas. Para as futuras mamães recém-diagnosticadas, a mensagem é de acolhimento e otimismo. “Ainda que a mudança na alimentação possa parecer difícil, com informação, apoio e planejamento é totalmente possível ter uma gravidez segura e com descobertas prazerosas à mesa”, garante a nutricionista.

