O câncer colorretal é o tumor maligno que afeta o trato digestivo. As características clínicas dessa neoplasia incluem sangue nas fezes, alterações nos hábitos intestinais, formato anormal das fezes, dor abdominal, anemia e mal-estar. Durante a progressão da doença, o fígado é o órgão alvo mais suscetível à metástase hematogênica de células tumorais. De acordo com as estatísticas, cerca de 50% dos indivíduos diagnosticados com esse tipo de câncer apresenta metástase hepática no diagnóstico inicial ou desenvolvem dentro de cinco anos do diagnóstico.
Assim, a metástase hepática prevalece como a forma primária de metástase no câncer colorretal, seguida por metástase peritoneal e óssea. Nos últimos anos, pesquisadores descobriram que as células tumorais criam um nicho pré-metastático favorável à metástase antes de atingir o local metastático. As células tumorais migram seletivamente para órgãos favoráveis e secretam citocinas para remodelar o microambiente, aumentando a angiogênese, permitindo que as células tumorais sobrevivam, proliferem e se espalhem.
Esse processo complexo envolve vários elementos, como fatores inflamatórios, células associadas ao tumor e imunidade. Desta forma, influencia a invasão e a capacidade metastática das células tumorais e a regulação da resposta imune do microambiente tumoral, impactando na resistência das células tumorais a medicamentos. Com base nesses achados, pesquisadores chineses realizaram uma revisão que discute os diversos processos e mecanismos que levam à formação de nicho pré-metastático no câncer colorretal.
Combinação de fatores
O estudo elaborou uma compilação de estratégias viáveis para o tratamento do câncer colorretal, incluindo nanoagentes, radiogenômica, plataformas organoides, compostos herbais e probióticos. Como resultado, os pesquisadores apontam que o nicho pré-metastático deste tipo de câncer é uma causa importante de metástase hepática. “Além disso, a formação é o resultado de uma combinação de vários fatores, incluindo exossomos, células-tronco cancerígenas, flora intestinal e evasão imunológica”, pontuam.
Para os pesquisadores, uma exploração completa dos mecanismos nas metástases hepáticas colorretais auxilia na detecção precoce e fornece insights para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas direcionadas. “Esse esforço tem importância substancial no aumento da eficácia terapêutica e das taxas de sobrevida global para pacientes com câncer colorretal, o que é de grande importância na prevenção e no tratamento da doença”, sinalizam.
Apesar disso, ainda é um desafio traduzir os achados clínicos atuais sobre o microambiente pré-metastático em estratégias terapêuticas práticas que possam ser usadas na clínica. De acordo com os autores, nenhuma medida viável foi desenvolvida para direcionar a formação do microambiente pré-metastático e, assim, prevenir a formação de metástases hepáticas no câncer colorretal. “Abordagens promissoras, como estudos em andamento sobre inibidores de exossomos ou imunoterapias, podem oferecer novas estratégias para prevenir metástases hepáticas modulando o microambiente pré-metastático”, acreditam.
Ademais, os métodos clínicos atuais usados para o tratamento do câncer colorretal, como a quimioterapia, ainda são considerados problemáticos para evitar os efeitos no microambiente pré-metastático e na metástase hepática. “Esperamos encontrar maneiras de atingir o microambiente pré-metastático para tratar o câncer colorretal e reduzir as metástases hepáticas no futuro”, finalizam os autores. O estudo ‘Understanding pre-metastatic niche formation: implications for colorectal cancer liver metastasis’ foi publicado em março de 2025 no Journal of Translational Medicine.

