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Uso de prebióticos e probióticos

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Simbióticos ganham espaço para ajudas psiquiátricas

Escrito por: Adenilde Bringel

Depressão e ansiedade têm a maior taxa de ocorrência entre todas as condições de saúde mental. De 45%-67% dos adultos com depressão clínica atendem aos critérios para pelo menos um transtorno de ansiedade, o que configura um desafio para a eficácia do tratamento, baseado em antidepressivos e terapia psicológica. Mais recentemente, com os estudos sobre o eixo intestino-cérebro, o uso de prebióticos e probióticos como auxiliar no tratamento para essas e outras condições psiquiátricas ganhou grande interesse.

Pesquisadores do Reino Unido desenvolveram uma revisão científica com objetivo de avaliar a eficácia do uso de prebióticos e probióticos (simbióticos) na redução dos sintomas clínicos de depressão e ansiedade de forma abrangente. Assim, utilizaram a Ferramenta de Colaboração Cochrane para avaliar o risco de viés. A análise incluiu ensaios clínicos randomizados que investigavam intervenções prebióticas, probióticas ou simbióticas para tratar sintomas clínicos de depressão ou ansiedade em amostras clínicas.

De acordo com os autores, evidências emergentes sugerem que os distúrbios do microbioma intestinal estão implicados na depressão e, possivelmente, na ansiedade. Estudos recentes indicam, ainda, que a microbiota intestinal pode alterar a função dos neurotransmissores e até mesmo produzir neurotransmissores como serotonina e dopamina, que podem afetar diretamente os sintomas depressivos.

“Por outro lado, a atividade anormal do sistema nervoso entérico decorrente da patologia intestinal agrava as mudanças relacionadas à depressão, alterando secreção intestinal, defesas imunes, motilidade e permeabilidade”, descrevem. O microbioma também modula a resposta ao estresse através do nervo vago e produz fatores neuroprotetores que, coletivamente, diminuem os sintomas depressivos e de ansiedade.

Universo intestinal

A microbiota intestinal tem uma diversidade de microrganismos, incluindo bactérias e fungos, que residem no sistema gastrointestinal humano. Em pessoas com depressão, Firmicutes, Actinobacteria e Bacteroidetes são os filos mais afetados, especialmente com aumento na relação Bacteroidetes-Firmicutes caracterizado por um enriquecimento do gênero Bacteroides e uma depleção dos gêneros BlautiaFaecalibacterium Coprococcus. “Um aumento em Eggerthella e a diminuição de Sutterella também foram consistentemente demonstrados em pessoas com depressão e ansiedade”, afirmam os autores.

A evidência mais atual do eixo intestino-cérebro vem de uma meta-análise de 2023 com 786 participantes, que mostrou a eficácia do uso de prebióticos, probióticos e simbióticos nos sintomas de depressão clínica em favor do grupo de tratamento em comparação com controles placebo.  “A análise do subgrupo revelou que apenas probióticos, de cepas simples e múltipla, foram associados a reduções significativas e pequenas na gravidade da depressão em comparação com o placebo”, acentuam.

Além disso, a análise de meta-regressão indicou uma maior redução nos sintomas de depressão em estudos que tiveram menos mulheres. A duração do tratamento, o agente de intervenção, o tipo de intervenção e o ponto de tempo de avaliação não surgiram como moderadores de efeito. “No geral, esta revisão de 2023 fornece as evidências mais atualizadas para populações clinicamente deprimidas sobre os efeitos de prebióticos, probióticos e simbióticos para depressão”, detalham os autores. 

Conclusão

Os resultados deste estudo indicam que até oito semanas de uso de probióticos são eficazes na redução dos sintomas depressivos e de ansiedade em pacientes clinicamente diagnosticados, em comparação com o placebo. “Os probióticos de cepa única e multi-cepa mostraram efeitos moderados a grandes na redução da gravidade da depressão e da ansiedade, com probióticos de cepa única mostrando o maior benefício”, resumem os autores.

Os prebióticos parecem ter efeitos benéficos nos sintomas de ansiedade, mas pesquisas futuras são necessárias para fundamentar essas descobertas. Ademais, ensaios maiores explorando as taxas de remissão da depressão e as trajetórias de dosagem do tratamento são recomendados. O artigo ‘Effects of prebiotics and probiotics on symptoms of depression and anxiety in clinically diagnosed samples: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials’ foi publicado no periódico Nutrition Reviews em 2024.

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