O câncer de esôfago é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo. Potencialmente fatal, é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células neste órgão que conecta a garganta ao estômago. Sexto tipo de câncer mais incidente entre os homens, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam cerca de 10.990 novos casos anuais no triênio 2023-2025 no Brasil. Muitas vezes silencioso nas fases iniciais, a maioria dos diagnósticos ocorre em estágios avançados, o que dificulta o tratamento e reduz as chances de cura.
O esôfago é um órgão em forma de tubo que leva o alimento desde a garganta até o abdômen, onde se encontra com o estômago. Revestido por várias camadas, o câncer desse órgão começa nas células do revestimento interno que, ao longo do tempo, crescem para dentro do canal do esôfago e se espalham pelas suas paredes. Esse crescimento descontrolado de células no órgão representa uma das condições mais desafiadoras dentro da Gastroenterologia.
Fatores de risco
O câncer de esôfago é classificado de acordo com as células que sofreram mutações e se multiplicaram desordenadamente. Os dois tipos mais frequentes são o carcinoma de células escamosas, em que o tumor se manifesta nas células escamosas que revestem o terço superior e médio do esôfago; e o adenocarcinoma, cuja lesão começa nas glândulas secretoras de muco, especialmente no terço inferior do esôfago.
Segundo a oncologista Larissa Macedo, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), cada tipo de neoplasia possui fatores de risco específicos. No carcinoma de células escamosas, a doença está associada principalmente a hábitos de vida nocivos como o tabagismo e o consumo de álcool. “Já o adenocarcinoma está associado à doença do refluxo gastroesofágico, ao esôfago de Barrett, condição na qual o tecido que reveste o órgão é substituído por outro semelhante ao de revestimento do intestino e à obesidade”, descreve. Embora existam estudos que apontem uma possível associação entre o vírus HPV e o câncer de esôfago, a médica afirma que a relação ainda não é totalmente comprovada.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce do câncer de esôfago é essencial para melhorar as perspectivas de tratamento e aumentar as chances de sobrevivência. Entre os métodos diagnósticos, a especialista cita a endoscopia digestiva alta, primeiro exame realizado quando há suspeita de câncer de esôfago. Além disso, pode ser feita biópsia como parte da endoscopia e, se necessário, exames de imagem como tomografia computadorizada ou PET Scan para determinar a extensão do câncer e se houve disseminação para estruturas adjacentes ou outros órgãos. O diagnóstico envolve, ainda, avaliação clínica e exames laboratoriais.
A especialista observa que, identificada a neoplasia, o tratamento é individualizado a depender do estágio da doença e condição clínica do paciente. As terapêuticas podem incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia. As chances de cura dependem de vários fatores, incluindo o estágio da doença no momento do diagnóstico, o tipo de câncer, a resposta do paciente aos tratamentos e a presença de condições médicas subjacentes. “Geralmente, cânceres diagnosticados em estágios iniciais, em que o tumor está confinado ao esôfago e não se espalhou, têm chances de cura significativamente maiores”, observa.
Atenção aos sinais
Nos estágios iniciais, o câncer de esôfago pode ser assintomático ou apresentar sinais inespecíficos, como azia e desconforto digestivo. À medida que a doença progride, podem surgir outros sintomas, conforme abaixo. “Portanto, a recomendação é não ignorar esses sintomas, especialmente se persistirem ou se agravarem”, alerta a especialista.
- Disfagia (dificuldade para engolir)
- Desconforto e dor torácica (não relacionada a problemas cardíacos) ou nas costas
- Perda de peso significativa inexplicada
- Tosse persistente ou rouquidão que não melhoram com tratamento para condições respiratórias
Medidas preventivas
- Adotar um estilo de vida mais saudável, estar atento aos fatores de risco e aos sinais da doença são passos fundamentais na luta contra essa neoplasia.
- Cessar o tabagismo e moderar o consumo de álcool
- Adotar uma alimentação saudável, rica em frutas, vegetais e fibras
- Evitar bebidas quentes, uma vez que a ingestão de líquidos em altas temperaturas pode causar danos no esôfago
- Controlar (quando for o caso) o refluxo gastroesofágico, já que o tratamento pode prevenir complicações como o esôfago de Barrett
- Na presença de sintomas persistentes, buscar ajuda médica especializada

