No Brasil, 477 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo, segundo o Ministério da Saúde. Os custos dos danos produzidos pelo cigarro no sistema de saúde e na economia é de R$ 153,5 bilhões. Além da verba investida por causa do vício, o fumo é prejudicial para a saúde como um todo. Um dos problemas mais sérios é a doença arterial periférica, caracterizada pelo estreitamento e obstrução das artérias das pernas.
A enfermidade, que tem o tabagismo como um dos principais fatores de risco, pode evoluir para isquemia grave e levar à amputação se não for tratada. “Estima-se que milhares de amputações realizadas anualmente no Brasil estejam relacionadas, direta ou indiretamente, ao fumo”, afirma o médico cirurgião vascular Caio Focássio, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).
Além da doença arterial periférica, o cigarro é altamente prejudicial para a saúde porque aumenta a propensão à formação de coágulos, elevando o risco de trombose venosa profunda e embolia pulmonar. O perigo é potencializado em mulheres fumantes que usam pílula anticoncepcional. Isso porque a combinação pode multiplicar o risco de trombose e acidente vascular cerebral, especialmente em mulheres com menos de 40 anos.
O tabaco também acelera a aterosclerose, um processo inflamatório que ‘enferruja’ os vasos sanguíneos, reduzindo a circulação e aumentando a chance de infarto e acidente vascular cerebral. Outro impacto pouco comentado é a má cicatrização. “O fumo reduz o fluxo de sangue e oxigênio para os tecidos, dificultando a recuperação de feridas e aumentando o risco de úlceras arteriais e venosas, um desafio frequente no consultório do cirurgião vascular”, explica o especialista.
Perigo para não fumantes
Até mesmo quem não fuma pode sofrer com os danos. O fumo passivo pode causar alterações na função vascular, predispondo a doenças cardiovasculares e vasculares periféricas. Essa exposição contínua à fumaça do cigarro provoca inflamação e prejuízos circulatórios mesmo em não fumantes.
No entanto, os benefícios gerados ao parar de fumar são rápidos. “Em poucos dias sem cigarro, já é possível perceber melhora na circulação. Em semanas, o fluxo sanguíneo aumenta e a oxigenação dos tecidos melhora significativamente. É um impacto positivo que continua a crescer ao longo dos meses e anos”, finaliza o médico.

