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Proliferação de microrganismos

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Evite a colher de pau no preparo das refeições

Escrito por: Fernanda Ortiz

 

Item típico nas cozinhas brasileiras por gerações, as colheres de madeira – popularmente conhecidas como ‘colher de pau’ – perderam seus dias de glória e têm sido alvo constante de críticas. Proibido desde 2004 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em estabelecimentos comerciais com serviços de alimentação – como bares e restaurantes – o utensílio também deveria ser evitado no ambiente doméstico. A recomendação é baseada nas características do material, cuja porosidade pode propiciar a proliferação de microrganismos como fungos e bactérias, resistentes à limpeza convencional.

De acordo com a nutricionista Maria Claudia da Silva, docente de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), além de reter umidade, os resíduos se acumulam nos poros da madeira e acabam criando um ambiente ideal para o desenvolvimento de bactérias e fungos. “A madeira impede a higienização completa e torna o utensílio propício à proliferação de microrganismos”, explica. Esses biofilmes são colônias de bactérias que se fixam na madeira e resistem à remoção por métodos convencionais.“Essas colônias são perigosas, pois facilitam a contaminação cruzada, um processo em que microrganismos presentes em uma superfície contaminam alimentos que, até então, estavam livres de qualquer risco”, acentua. A médica acrescenta que estudos científicos apontam que a manipulação de alimentos em superfícies contaminadas está entre as principais causas de surtos de doenças transmitidas por alimentos. Por isso, normas sanitárias que regem o funcionamento de cozinhas industriais e restaurantes proíbem expressamente o uso de utensílios de madeira durante o preparo de refeições.

Entretanto, os riscos não se limitam à contaminação biológica, uma vez que a própria integridade física das colheres de madeira é considerada um problema. “Com o tempo, o material se desgasta e pode soltar pequenos fragmentos. Esses pedaços podem causar lesões na pele durante a manipulação ou, até mesmo, perfurações ao serem ingeridos acidentalmente”, alerta a docente. Por isso, descartar o uso é a melhor opção.

Substituição dos utensílios

Na hora de escolher os objetos de cozinha, a recomendação da nutricionista é dar preferência às colheres de metal ou plástico devidamente apropriadas para uso culinário. “Esses materiais são menos porosos e, portanto, mais eficazes na hora da desinfecção, já que passam por processos de limpeza sem absorver resíduos e sem comprometer sua estrutura”, explica.

A higienização de utensílios deve sempre seguir duas etapas obrigatórias: limpeza e desinfecção. Enquanto a limpeza consiste na retirada de sujeiras visíveis, geralmente com água corrente e detergente neutro, a desinfecção tem como objetivo reduzir a carga microbiana, como bactérias, vírus e fungos presentes na superfície.

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