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Ginecologia regenerativa

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Ginecologia regenerativa aliada no tratamento do vaginismo

Escrito por: Fernanda Ortiz

O vaginismo é descrito pela contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico, que dificulta ou impede a penetração causando dor e desconforto durante a relação sexual. Muito comum, estimativas da literatura médica apontam que entre 5% e 17% das mulheres em idade reprodutiva podem apresentar algum grau de disfunção. Como o impacto na saúde física e emocional é significativo, a adoção de cuidados para minimizar os sintomas desta condição é essencial. Entre as alternativas, a Ginecologia regenerativa se destaca como uma das opções terapêuticas para o enfrentamento do vaginismo e de outras condições que impactam a qualidade de vida.

Apesar de ser relativamente comum, o vaginismo é uma condição cercada de tabus, muito provavelmente por ser uma disfunção sexual na mulher. Marcado pela dor durante a penetração, o problema pode impactar profundamente a saúde física e emocional, influenciando não apenas a vida sexual, mas também na autoestima e nos relacionamentos. “Muitas mulheres relatam sentimento de frustração, vergonha e ansiedade em relação à dor na relação sexual. Esse quadro pode se tornar um ciclo vicioso, no qual o medo da dor leva a uma contração muscular ainda maior”, explica a médica ginecologista Zoila Medina, membro da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR).

Contração muscular

A condição é caracterizada por uma contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico quando se tenta a penetração vaginal, seja com o pênis, dedo, absorvente interno ou espéculo. O vaginismo não se limita, portanto, ao ato sexual, podendo causar desconforto importante até mesmo no período menstrual. A especialista comenta que a contração ocorre nos músculos do períneo, chegando a envolver o ânus e, em alguns casos, a parte interna dos músculos da coxa e da barriga. A intensidade pode ser ligeira, tolerando algum tipo de penetração, ou grave, impossibilitando qualquer penetração.

Cuidados terapêuticos

O diagnóstico do vaginismo requer avaliação de uma equipe multidisciplinar, ou seja, com ginecologista especializado em sexualidade, psicólogo e fisioterapeuta do assoalho pélvico. Tradicionalmente, o tratamento envolve psicoterapia e fisioterapia pélvica. No entanto, avanços na Ginecologia regenerativa trouxeram novas abordagens. “Uma das opções é a toxina botulínica, que tem se mostrado uma alternativa eficaz para casos mais severos de vaginismo”, acrescenta a especialista. A toxina age promovendo um relaxamento temporário da musculatura vaginal, reduzindo a contração involuntária dos músculos do assoalho pélvico e permitindo a reabilitação da paciente com menor desconforto.

O procedimento é simples e consiste na aplicação da toxina diretamente nos músculos do assoalho pélvico, de forma minimamente invasiva, com anestesia local ou sedação leve. O efeito dura entre quatro e seis meses, período no qual a paciente pode e deve associar outras abordagens terapêuticas. De acordo com a ginecologista, o objetivo dessa abordagem não é apenas reduzir a contração muscular, mas possibilitar que a mulher recupere a confiança em seu corpo e retome sua vida sexual de forma saudável e sem dor. 

Eficiente para outras condições

A Ginecologia regenerativa não se limita ao vaginismo e oferece bons resultados a outras condições, a exemplo da flacidez vulvar. Essa condição ocorre quando os músculos do assoalho pélvico, que dão suporte à vagina e a outros órgãos da região, perdem a força. Isso pode resultar em uma sensação de frouxidão na área íntima, afetando a qualidade de vida e a autoconfiança. Além do envelhecimento, outras causas incluem alterações hormonais ou gestações.

Para esses casos, as opções de tratamento são os bioestimuladores de colágeno e os fios de sustentação de PDO (polidioxanona), que promovem a produção natural de colágeno, melhorando a firmeza e a qualidade da pele da vulva e dos grandes lábios. A ginecologista observa que, para casos mais severos – a exemplo de perdas ponderais significativas –, a associação de técnicas pode ser necessária. “Mulheres que passaram por cirurgias bariátricas podem apresentar excesso de tecido na região vulvar. Nestes casos, além dos bioestimuladores, indicamos procedimentos como a labioplastia externa, que remodela os grandes lábios e melhora sua firmeza”, complementa.

Outra queixa recorrente nos consultórios ginecológicos é o acúmulo de gordura na região do Monte de Vênus – localizada acima dos órgãos genitais e coberta por pelos pubianos.  “Mesmo com emagrecimento e atividade física, muitas mulheres mantêm um volume acentuado nessa região. Além da lipoaspiração, temos opções menos invasivas como o uso de substâncias injetáveis para a quebra das células de gordura”, detalha a ginecologista.

Ultrassom microfocado

O ultrassom microfocado tem sido uma opção popular na Ginecologia regenerativa por estimular a produção de colágeno nas camadas mais profundas da vagina, inclusive alcançando a musculatura. Esse tratamento não invasivo e eficaz ajuda a restaurar a firmeza, reduzindo a flacidez dos tecidos internos e externos, e é considerado uma opção não cirúrgica. “Essa tecnologia, amplamente utilizada na Dermatologia para efeito lifting facial, também pode ser aplicada na terapêutica regenerativa. Inclusive, a dor associada ao procedimento é geralmente menor na região íntima quando comparada a outras áreas do corpo”, conclui a especialista.

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