A síndrome da fadiga crônica (SFC) é uma doença complexa e debilitante que causa cansaço extremo, não aliviado pelo repouso e que piora com esforço físico ou mental. Com isso, afeta a capacidade de realizar tarefas diárias e leva a sintomas como falta de concentração, sono não reparador, dores musculares e articulares e dor de cabeça. Junto com a fadiga contínua, também foi observado que 97% dos pacientes com SFC relatam distúrbios neuropsicológicos. Além disso, pesquisas mostram que pessoas com SFC e outros distúrbios somáticos funcionais têm alterações na flora microbiana intestinal.
Assim, alguns cientistas sugerem que bactérias intestinais patogênicas e não patogênicas podem influenciar os sintomas relacionados ao humor e até mesmo o comportamento em animais e humanos. A ciência já mostrou que os patógenos intestinais no trato gastrointestinal podem se comunicar com o sistema nervoso central e influenciar o comportamento associado à emoção e ansiedade, mesmo em níveis extremamente baixos e na ausência de uma resposta imune.
Os pesquisadores também mostraram que a administração de certas bactérias (probióticos) pode apoiar a resiliência e alterar positivamente o comportamento emocional relacionado ao estresse. Além disso, os probióticos conferem um benefício para a saúde do hospedeiro, têm o potencial de influenciar citocinas inflamatórias sistêmicas reguladoras do humor, diminuir o estresse oxidativo e melhorar o estado nutricional quando consumidos por via oral.
Comprovação
Para confirmar as evidências, pesquisadores do Canadá desenvolveram um estudo piloto com 39 pacientes com síndrome da fadiga crônica. Os participantes foram convidados a ingerir uma bebida com Lactobacillus casei Shirota (LcS) – cepa exclusiva da Yakult – ou um placebo diariamente, por dois meses. Os pacientes forneceram amostras de fezes e completaram os Inventários de Depressão de Beck e Ansiedade de Beck antes e depois da intervenção com o Lactobacillus casei Shirota (LcS).
Os kits foram fornecidos aos pacientes de acordo com as diretrizes de coleta apropriada, conforme a Escola de Medicina, Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade de Toronto. As amostras foram enviadas ao Laboratório Fecal da Universidade de Toronto para avaliação. Usando a técnica de cultura, as amostras de fezes foram avaliadas para contagens totais de aeróbio, anaeróbio, Lactobacillus spp e Bifidobacteria spp.
Resultados
“Encontramos um aumento significativo de Lactobacillus e de Bifidobacteria naqueles que tomaram o LcS, e também houve uma diminuição significativa nos sintomas de ansiedade entre aqueles que tomaram o probiótico versus controles”, relatam. De acordo com os autores, esses resultados dão mais suporte à presença de uma interface intestino-cérebro, que pode ser mediada por microrganismos que residem ou passam pelo trato intestinal.
No geral, os resultados sugerem que cepas específicas de bactérias probióticas podem ter um papel a desempenhar na mediação de alguns dos sintomas emocionais da síndrome da fadiga crônica e outras condições relacionadas. “No entanto, é importante notar que este é um pequeno estudo piloto e conclusões amplas não podem ser tiradas neste momento”, afirmam. Para os autores, como não foi avaliada a função intestinal durante o estudo, é possível que a diminuição da ansiedade tenha sido consequência da melhora da função intestinal.
“Em uma condição médica inexplicável como a SFC, onde mais de 70% dos pacientes atendem aos critérios para síndrome do intestino irritável, é possível que a regulação dos movimentos intestinais tenha feito diferença no estado mental”, acentuam os autores. O estudo ‘A randomized, double-blind, placebo-controlled pilot study of a probiotic in emotional symptoms of chronic fatigue syndrome’ foi publicado em 2009 no Gut Pathogens.

