A música estimula alguns neurotransmissores associados ao bem-estar e ao prazer, como a dopamina, e pode ser utilizada como ferramenta terapêutica para diversas condições médicas e neurológicas. Com seu poder transformador, a música também desperta diversos sentidos e pode ser uma das maiores aliadas no desenvolvimento infantil. Esse efeito benéfico ocorre especialmente na primeira infância, fase fundamental para o aprendizado e a formação do cérebro.
De acordo com o neurocirurgião e especialista em desenvolvimento infantil André Ceballos, diretor técnico do Hospital São Francisco, em São Paulo, a exposição à música desde cedo é um estímulo para a formação de conexões cerebrais fundamentais. “A música ajuda a desenvolver áreas do cérebro responsáveis pela fala, atenção e capacidade de resolver problemas”, explica. Além disso, favorece a memória, a coordenação motora e a inteligência emocional, pois ativa diversas regiões do cérebro simultaneamente.
Além disso, bebês e crianças que têm maior contato com a música desenvolvem uma compreensão de palavras mais aguçada e apresentam um desenvolvimento linguístico mais rápido. “Durante a alfabetização, por exemplo, diferentes canções podem ser bons recursos para o ensino de gramática, vocabulário, pronúncia e entonação”, observa o especialista. Com os bebês, a música estimula a concentração e ajuda a expressar emoções antes mesmo de aprenderem a falar.
Estilo musical
A escolha do estilo musical pode influenciar as crianças. Para os bebês, ritmos suaves como a música clássica são ideais, pois ajudam a criar um ambiente tranquilo e estimulam o relaxamento. Já para crianças em fase de desenvolvimento da linguagem, as músicas com letras simples e educativas são a melhor opção.
“Os sons, de forma geral, reduzem o estresse e a ansiedade infantil, criando uma atmosfera de calma e segurança”, acentua o médico. Por outro lado, músicas com batidas mais animadas, como canções rítmicas ou dançantes, podem estimular o movimento, a criatividade e até incentivar a socialização. Para garantir a contribuição ao desenvolvimento infantil, existem várias formas de introduzir a música na rotina das crianças.
Por fim, o especialista acrescenta que os sons não precisam ser altos para gerar os benefícios desejados. “É importante que os pais tenham cautela e ofereçam músicas adequadas ao momento e ao desenvolvimento da criança, evitando exageros no volume, principalmente em ambientes de calma ou relaxamento”, sinaliza.
Como estimular as crianças
- Instrumentos musicais – Os pais podem oferecer instrumentos musicais simples, como tambores, pandeiros, sinos ou xilofones. Além disso, objetos caseiros, como panelas e colheres, podem ser usados como instrumentos improvisados. “Isso permite que as crianças interajam com o som e a música, criando suas próprias melodias”, orienta o especialista. Ao longo do dia ou durante uma brincadeira, é interessante incentivar os pequenos a tocarem os instrumentos e, até mesmo, participar dessa atividade de forma conjunta.
- Criar uma playlist personalizada – É importante dar autonomia à criança, permitindo que escolha suas músicas favoritas. Os pais podem criar uma playlist personalizada composta por músicas que a criança aprecia ou que são adequadas ao seu desenvolvimento emocional e cognitivo. Esses sons podem ser incorporados a momentos especiais, como durante o banho ou em atividades lúdicas.
- Cantar juntos – Incentivar momentos de canto em família é uma ótima maneira de fortalecer os laços afetivos e estimular o desenvolvimento da linguagem e da expressão emocional. Criar um ambiente divertido, como um karaokê na sala de estar, pode ser uma experiência de aprendizado única para as crianças.

