O lipedema é uma doença crônica e progressiva caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, geralmente em pernas, quadris, coxas e, em alguns casos, nos braços. Esse acúmulo ocorre de forma desproporcional em relação ao restante do corpo. Diferentemente da obesidade, a gordura do lipedema é resistente a dietas e exercícios e está frequentemente associada a dor, sensação de peso, inchaço e facilidade em desenvolver hematomas, afetando a qualidade de vida.
Fatores como alimentação inadequada, falta de exercício físico e predisposição hereditária podem potencializar o desenvolvimento da doença. De acordo com o professor de Estética e Cosmética da Universidade Guarulhos (UNG), Ronaldo Scalisse, essa é uma condição mais comum em mulheres e vai além da aparência, causando desconforto, dor, inchaço e limitação na mobilidade.
“Embora a doença possa afetar mulheres de todas as idades, é mais comum durante ou após mudanças hormonais significativas como puberdade, gravidez, pós-parto, pré-menopausa e menopausa”, pontua. Além disso, outras situações levam ao surgimento do problema, como a síndrome do ovário policístico (SOP) e o hipotireoidismo.
Condição tem tratamento
O lipedema é, muitas vezes, confundido erroneamente com obesidade ou linfedema. Entretanto, na obesidade a gordura se distribui de maneira generalizada e responde melhor a mudanças no estilo de vida. Já no linfedema, o principal problema é o acúmulo de líquido que causa inchaço assimétrico. No lipedema, por outro lado, a gordura é o fator predominante, com padrão simétrico e doloroso.
Apesar de ser considerada uma nova doença, já existem formas de tratamento que podem auxiliar na qualidade de vida. “Drenagem linfática e combos de massagens, por exemplo, ajudam a fazer detox no corpo, eliminar líquidos e toxinas, acelerar metabolismo e melhorar a saúde vascular”, explica o docente. Além disso, a terapia compressiva pode auxiliar na circulação sanguínea.
Controle de peso, alimentação saudável e prática de exercícios físicos também são algumas das alternativas para reduzir os sintomas. Caso os tratamentos não tragam resultados, o médico especialista pode avaliar a possibilidade de fazer cirurgia para a remoção do excesso de gordura acumulada. Entretanto, a intervenção é indicada apenas em casos avançados ou quando o impacto funcional e emocional é significativo.
“O lipedema não é apenas uma questão estética, mas uma condição que pode comprometer a saúde física e emocional”, define o professor. Além disso, muitas mulheres enfrentam diagnósticos tardios, o que gera frustração e sofrimento, uma vez que a gordura não responde às estratégias convencionais de emagrecimento. Portanto, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com equipe multidisciplinar são fundamentais para evitar a progressão da doença.

