Estudos têm mostrado que uma única sessão de exercício aeróbico diminui a pressão arterial durante o período pós-exercício em comparação aos valores obtidos antes da atividade física. Esse fenômeno é conhecido como hipotensão pós-exercício. Paralelamente, estudos mostram que a intensidade da luz pode induzir ajustes cardiovasculares. Assim, a exposição à luz brilhante poderia afetar a pressão arterial quando os indivíduos permanecem em repouso.
Assim, pesquisadores do Laboratório de Hemodinâmica da Atividade Motora da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (Laham-EEFE-USP) fizeram um estudo sobre o tema. O foco era testar a hipótese de que a exposição à luz brilhante (5000 lux) poderia atenuar a hipotensão pós-exercício em magnitude e duração. O trabalho foi desenhado para investigar se a luz brilhante aumenta a pressão arterial em repouso e afeta a hipotensão pós-exercício, em comparação com a penumbra (<8 lux), o que é parecido com um ambiente à luz de velas. A hipótese foi avaliada em laboratório e em condições ambulatoriais.
Metodologia
Os dados foram coletados entre maio de 2021 e junho de 2022. O estudo incluiu homens saudáveis entre 20 e 39 anos de idade. Para participar, os homens tinham de ser não fumantes, que não estivessem tomando nenhum medicamento de venda livre ou suplementos vitamínicos e não relatassem diagnóstico prévio de doenças crônicas.
Além disso, os indivíduos foram submetidos a avaliações preliminares para confirmar a elegibilidade para os critérios do estudo, como pressão arterial em repouso, peso, altura e níveis de atividade física. “Todos foram submetidos a duas sessões experimentais, uma sob penumbra e outra sob luz brilhante, conduzidas no mesmo dia da semana, com um intervalo de sete dias”, relata o professor doutor Leandro Campos de Brito, agora professor assistente na Oregon Health and Science University, Portland, Estados Unidos, responsável pelo trabalho.
Em cada sessão, os voluntários executaram uma série de exercícios aeróbicos por 30 minutos em bicicleta estacionária (como as usadas nas academias de ginástica) com intensidade moderada. A pressão arterial e a frequência cardíaca foram medidas, e o produto frequência-pressão foi calculado. Além disso, o monitoramento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) de 24 horas foi realizado após as sessões.
Precedendo cada sessão experimental, os indivíduos foram instruídos a manter rotinas semelhantes, incluindo horário de dormir e acordar. Também foi solicitado que se abstivessem de esforços físicos e bebidas com cafeína ou alcoólicas por 24 horas. “Além disso, deveriam estar em jejum por pelo menos duas horas antes de se apresentarem ao laboratório”, detalha o pesquisador.
Luz tem influência
Os achados mostram que a pressão arterial sistólica diminuiu enquanto a frequência cardíaca aumentou significativamente e de forma semelhante após o exercício em ambas as sessões. Entretanto, os níveis de pressão arterial sistólica foram maiores em luz brilhante do que em penumbra durante toda a sessão experimental. Ademais, as pressões arteriais diastólica e média diminuíram após o exercício em penumbra e aumentaram em luz brilhante.
O produto frequência-pressão aumentou em ambas as sessões pós-exercício, mas com um efeito principal revelando níveis mais altos ao longo da sessão experimental em luz brilhante do que em penumbra que permaneceram ao longo das primeiras três horas de MAPA após os voluntários deixarem o laboratório. A elevação do produto frequência-pressão por muitas horas após o exercício pode indicar um risco aumentado causado pela exposição à luz brilhante a eventos cardiovasculares adversos em pessoas mais vulneráveis.
“Concluímos que, em homens adultos saudáveis, a exposição à luz brilhante antes, durante e após o exercício aboliu a redução pós-exercício nas pressões diastólica e média e aumentou o trabalho cardíaco representado pelo produto frequência-pressão em comparação com a penumbra”, pontua o pesquisador. O resultado sugere que o recomendável seria evitar a luz brilhante durante as sessões de exercício para pessoas com alto risco de eventos cardiovasculares adversos.
O pesquisador ressalta, entretanto, que estudos futuros precisam reproduzir esses achados em pessoas com hipertensão para melhor compreender a relevância clínica do manejo da luz brilhante em programas de exercícios destinados a promover a saúde cardiovascular. O estudo ‘Bright light increases blood pressure and rate-pressure product after a single session of aerobic exercise in men’ foi publicado em julho de 2024 no Physiological Reports – doi: doi.org/10.14814/phy2.16141.

