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Carcinoma urotelial

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O papel da microbiota intestinal no carcinoma urotelial

Escrito por: Elessandra Asevedo

Os microrganismos intestinais desempenham um papel vital na digestão, na regulação imunológica e no metabolismo. Por outro lado, o desequilíbrio tem sido intimamente associado ao início e à progressão de várias doenças. Evidências crescentes sugerem, por exemplo, uma associação significativa entre a disbiose intestinal e o desenvolvimento de câncer. No entanto, os mecanismos causais específicos que explicam a relação entre a microbiota intestinal e o carcinoma urotelial ainda não são completamente compreendidos.

Apesar disso, alguns estudos já demonstraram uma estreita ligação entre alterações na microbiota intestinal e o desenvolvimento de câncer de bexiga e colorretal. Especificamente, certas bactérias da microbiota intestinal, como Blautia coccoides e espécies de Faecalibaculum, desempenham um papel significativo na patogênese do câncer de bexiga por meio da resposta imune, atividades metabólicas e modulação do microambiente tumoral.

Ademais, alterações na microbiota intestinal podem impactar a eficácia do tratamento do câncer, influenciando particularmente a resposta aos inibidores de checkpoint imunológico. Para suprir essa lacuna na pesquisa, um estudo desenvolvido por pesquisadores chineses avaliou sistematicamente a relação causal entre a microbiota intestinal e o carcinoma urotelial.

Tipos

O carcinoma urotelial inclui câncer da pelve renal, câncer do ureter e câncer de bexiga, todos originários das células uroteliais do trato urinário. Os cânceres da pelve renal e do ureter são relativamente raros, representando apenas 5% a 10% dos tipos uroteliais. No entanto, a incidência tem aumentado nos últimos anos, particularmente em populações de alto risco com maior exposição ao tabagismo e a carcinógenos químicos.

Já o câncer de bexiga é a forma mais comum de carcinoma urotelial. Essa neoplasia constitui 90% a 95% dos casos, com seu desenvolvimento intimamente ligado ao tabagismo, à exposição a substâncias químicas e à inflamação crônica. Apesar das diferenças nas taxas de incidência, esses três tipos de câncer compartilham altas taxas de recorrência e metástase, impactando severamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes.

Análise ampla

O estudo consistiu em dois componentes principais. O primeiro foi a avaliação causal de 473 espécies da microbiota intestinal, 91 citocinas inflamatórias e 91 características de células sanguíneas em relação ao desenvolvimento de carcinoma urotelial. O segundo contou com análise de mediação para explorar o papel mediador das citocinas inflamatórias e das células sanguíneas na relação entre a microbiota intestinal e o carcinoma urotelial.

Os dados da microbiota intestinal foram obtidos da coorte FR2801, que inclui informações sobre 473 espécies microbianas intestinais em mais de 7 milhões de indivíduos. O estudo também incorpora dados de estudo de associação genômica ampla para 5.959 táxons microbianos e 2.801 variantes genéticas. Os dados de citocinas inflamatórias foram obtidos de 11 coortes distintos, incluindo 91 proteínas inflamatórias circulantes, com um total de 14.824 participantes de ascendência europeia.

“Nossos resultados indicam que componentes específicos da microbiota intestinal podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento do câncer e na evasão imunológica, modulando fatores imunológicos e a função plaquetária”, informam. Para os pesquisadores, essas descobertas fornecem novos insights sobre os mecanismos subjacentes ao desenvolvimento do câncer.

Além disso, estabelecem as bases para futuras estratégias personalizadas de prevenção e tratamento do câncer baseadas na microbiota intestinal. O estudo ‘Causal relationships between gut microbiota and urothelial carcinoma mediated by inflammatory cytokines and blood cell traits identified through Mendelian randomization analysis foi publicado no Discover Oncology, em julho de 2025.

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