Selo de 25 ano - Revista Super Saudável
Suplementação com creatina

• Conteúdos Semanais | Pesquisa

Os benefícios da suplementação com creatina

Escrito por: Elessandra Asevedo

A creatina foi isolada pela primeira vez na década de 1830. No entanto, foi somente na década de 1990 que passou a ser pesquisada, após trabalhos que descobriram que diferentes dosagens influenciavam os níveis plasmáticos e intramusculares de creatina. Os resultados dos estudos atuais mostram que a creatina é segura e um dos suplementos alimentares mais estudados. Além disso, a suplementação com creatina é uma das intervenções dietéticas mais eficazes para melhorar aspectos do esporte, do desempenho do exercício e da saúde ao longo da vida.

Apesar da riqueza de conhecimento e da robusta literatura que comprova os diversos benefícios, inúmeras dúvidas e equívocos sobre a suplementação de creatina ainda prevalecem. Por isso, pesquisadores de diferentes países realizaram uma revisão científica com perguntas e equívocos comuns sobre a suplementação de creatina. No estudo foi abordado, por exemplo, se a creatina leva à retenção de água e ao acúmulo de gordura, se é um esteroide e causa perda de cabelo, desidratação ou cãibras musculares. Outras dúvidas eram se afeta negativamente a função renal e hepática e se é segura e eficaz para crianças, adolescentes, mulheres e adultos mais velhos.

De acordo com o professor doutor Hamilton Roschel, da Universidade de São Paulo (USP), muitas perguntas e equívocos sobre a creatina continuam prevalecendo nas mídias sociais e na prática clínica. “Então, uma equipe de pesquisadores especialistas de renome internacional foi formada para realizar uma nova revisão narrativa da literatura e responder a 16 questões sobre a creatina”, explica o diretor científico e executivo do Centro de Medicina do Estilo de Vida e coordenador do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da USP.

Respondendo dúvidas

De acordo com a revisão, a creatina poderia fornecer benefícios no desempenho muscular mesmo sem a prática de exercício, embora bem mais modestos neste último caso. Além disso, as populações com níveis basais de creatina mais baixos, como veganos e vegetarianos, podem apresentar uma resposta maior à suplementação, experimentando aumentos maiores nos seus estoques de creatina.

As evidências mostram, ainda, que não há um momento do dia específico para ingerir a substância. Assim, o seu consumo tanto antes quanto após o exercício parece ser igualmente eficaz para a promoção de ganhos mediados pelo treinamento de força no acúmulo de tecido magro e no desempenho muscular. “A ingestão consistente de creatina durante um programa de treinamento de resistência é provavelmente a variável mais importante a ser considerada”, explica o pesquisador.

Ademais, embora se encontre evidências esparsas de que a combinação de creatina com outros compostos ergogênicos, como os carboidratos, possa acelerar o acúmulo de creatina intramuscular, esta prática não é necessária quando se faz uso contínuo do suplemento. “Sobre a sua combinação com cafeína, embora acredite-se que agudamente possa haver alguma interferência de uma substância sobre a outra, seus efeitos no longo prazo são desconhecidos”, relata o pesquisador. Desta forma, espaçar o uso das duas substâncias parece sensato. 

Outras evidências

Alguns dados sugerem que a creatina tem o potencial para melhorar a recuperação de feridas, cirurgias ou imobilizações. No entanto, são informações escassas e conflitantes e que precisam de mais estudos, de tal forma que não há indicação do seu uso para estes fins. A creatina também não faz aumentar a produção de urina, nem afeta a pressão sanguínea.

“As evidências existentes também não sugerem que a creatina impacte negativamente a fertilidade masculina”, destaca o pesquisador. Em contrapartida, descobertas preliminares indicam que a exposição à creatina pode melhorar a motilidade e a velocidade dos espermatozoides humanos em condições in vitro, o que não necessariamente implica em efeitos positivos sobre a fertilidade.

Pesquisas preliminares sugerem, ainda, que a creatina durante a gestação não afeta negativamente a mãe ou o bebê. No entanto, atualmente não há evidências diretas disponíveis de ensaios clínicos randomizados controlados bem planejados e executados sobre a segurança e tolerabilidade do uso durante a gravidez. “Também existem dúvidas com relação ao risco de câncer com o consumo da substância, mas as evidências disponíveis não mostram essa ligação”, acrescenta.

Em adolescentes, a creatina pode melhorar as atividades esportivas específicas como desempenho físico, potência ou velocidade de sprint. “No entanto, também são necessários mais trabalhos de longo prazo e pesquisas em populações de atletas adolescentes do sexo feminino”, acentua o pesquisador. Outra dúvida envolve a dose de creatina necessária para aumentar a sua concentração no cérebro. Contudo, a revisão científica mostra que não está claro se este órgão requer doses mais altas em comparação ao músculo ou mesmo se o cérebro se beneficiaria da suplementação.

“As evidências preliminares também sugerem que a creatina pode ter um efeito positivo no processamento cognitivo em condições de privação de sono em adultos jovens”, explica. No entanto, não há evidências de que a suplementação de creatina melhore a cognição em condições de sono adequado. Um pequeno conjunto de pesquisas sugere, ainda, que a creatina pode potencialmente reduzir a gravidade ou melhorar a recuperação de lesão cerebral traumática leve. O artigo ‘Part II. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show?’ foi publicado em dezembro de 2024 no Journal of the International Society of Sports Nutrition.

DIREITOS RESERVADOS ®
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Companhia de Imprensa e da Yakult.

Matérias da Edição

• Mais sobre Conteúdos Semanais