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Bactérias probióticas

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A conversa cruzada do sistema imunológico-microbiota

Escrito por: Adenilde Bringel

A ciência sabe há muito tempo que, devido às suas características particulares, o intestino é um ambiente fundamental para que bactérias benéficas preservem seus efeitos promotores da saúde. Várias classes de células imunes intestinais desempenham um papel importante para neutralizar infecções e regular a tolerância imunológica. Os cientistas já provaram, também, que as bactérias probióticas podem interagir e estimular as células imunes intestinais e a microflora comensal para modular funções imunológicas específicas e a homeostase imune (equilíbrio).

Os autores de uma revisão científica sobre o tema afirmam que evidências crescentes mostram que as bactérias probióticas apresentam importantes propriedades imunomoduladoras e promotoras da saúde. Portanto, o uso de probióticos pode representar uma abordagem promissora para melhorar as atividades do sistema imunológico. “Até agora, os mecanismos por trás da interação entre as células imunes do hospedeiro e os probióticos foram apenas parcialmente descritos”, afirmam.

Assim, a revisão teve como objetivo coletar e resumir os resultados científicos mais recentes, assim como as implicações resultantes de como as bactérias probióticas e as células imunes interagem para melhorar as funções imunológicas. “Amplas evidências indicam que as células imunes intestinais interagem com os probióticos consumidos, e essa interação pode melhorar a homeostase e a função imunológica”, argumentam os autores.

Dinâmica do artigo

Os autores detalham como funciona o sistema imunológico intestinal, citando como aspecto intrigante a capacidade de distinguir bactérias comensais de agentes patogênicos nocivos. “A chamada tolerância imunológica garante a prevenção de uma resposta imune contra bactérias comensais cujos componentes celulares apresentam um certo grau de semelhança com bactérias patogênicas”, informam. De forma semelhante, a tolerância oral é um processo ativo que compreende exclusão imunológica e mecanismos imunossupressores para antígenos inócuos dietéticos.

O artigo também ressalta que as bactérias probióticas são microrganismos comensais que vivem em uma grande variedade de alimentos e no trato gastrointestinal. Essas bactérias são capazes de competir com microrganismos nocivos e colonizar o intestino. “Além disso, os probióticos podem proporcionar benefícios à saúde quando consumidos, melhorando ou restaurando a composição/atividade fisiológica da microbiota intestinal”, acentuam.

O artigo aborda, ainda, o sistema nervoso intestinal-central e os mecanismos imunológicos moduladores de bactérias probióticas. Além disso, os autores explicam como ocorre a liberação de citocinas e probióticos do hospedeiro, abordam as diretrizes sobre o uso de probióticos na prática clínica e citam ensaios clínicos baseados em probióticos.

Comprovações

Os probióticos são descritos como ‘geralmente reconhecidos como seguros’ (GRAS, na sigla em inglês) pela American Food and Drug Administration (FDA) – órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos. Além disso, são descritos como ‘presunção qualificada de segurança’ (QPS, na sigla em inglês) pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA).

Além disso, várias sociedades médicas e agências científicas avaliaram a confiabilidade clínica dos probióticos e formularam recomendações oficiais para o uso desses microrganismos no manejo de distúrbios intestinais humanos, incluindo colite, síndrome do intestino irritável, enterocolite necrosante e gastroenterite aguda. Dentre elas estão a Associação Americana de Gastroenterologia (AGA), a Sociedade Europeia de Gastroenterologia Pediátrica, Hepatologia e Nutrição (ESPGHAN) e a Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas (ESPID).

Resultados

De acordo com os autores, os probióticos podem melhorar o sistema imunológico do hospedeiro e induzir efeitos benéficos importantes. Desta forma, permitem a prevenção e/ou o manejo de doenças relacionadas à imunidade/inflamação. Entre os exemplos estão doença inflamatória intestinal, infecções patogênicas, cólica infantil e certos tipos de câncer. “Embora melhorias tenham sido feitas no campo, os mecanismos de interação entre probióticos consumidos e células imunes intestinais ainda não foram bem descritos”, resumem.

Nesse contexto, os cientistas sugerem que mais pesquisas pré-clínicas e clínicas sejam realizadas para esclarecer os mecanismos subjacentes. Ademais, novos dados mecanicistas precisos devem ser coletados para entender melhor a relação entre células imunes e probióticos e a melhoria bem estabelecida do sistema imunológico mediada por probióticos. O artigo ‘Probiotics mechanism of action on immune cells and beneficial effects on human health’ foi publicado em 2023 na revista Cells.

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