O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registrará cerca de 704 mil novos casos para cada ano do triênio 2023-2025. Os tumores de mama e próstata têm se mantido como os mais comuns entre mulheres e homens, respectivamente. Porém, nódulos de intestino vêm registrando crescimento preocupante em prevalência, inclusive entre adultos jovens.
Ao ampliar o mapa e analisar a América Latina, o cenário é igualmente alarmante. Estudos do Global Cancer Observatory, vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o câncer colorretal é responsável por 15% da incidência da doença em pessoas com menos de 50 anos na região.
De acordo com o médico oncologista Thiago Jorge, coordenador do setor de tumores gastrointestinais do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os tumores de intestino têm aparecido em idades cada vez mais precoces. E isso é um dado alarmante. “Muitas vezes, o diagnóstico é feito de forma tardia porque ainda há uma percepção equivocada de que jovens não estão suscetíveis a esse tipo de doença”, pontua.
Os tumores de pâncreas, fígado e nas vias biliares também têm se tornado mais comuns nos últimos anos e merecem ter uma atenção geral da população. Fatores como histórico familiar, obesidade, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados estão entre as principais causas atribuídas ao crescimento de casos.
Mudança de cenário
Além disso, a exposição prolongada a poluentes, microplásticos, resíduos tóxicos e substâncias químicas presentes em pesticidas, por exemplo, está cada vez mais associada a alterações genéticas e ao surgimento de tumores. O impacto do ambiente, combinado com hábitos pouco saudáveis, cria um cenário ainda mais desafiador para o controle e a prevenção do câncer na população adulto jovem.
No caso do câncer de mama em mulheres jovens, o impacto é ainda mais significativo. Embora as campanhas de rastreamento estejam bem estabelecidas para mulheres acima de 40 anos, ainda há um desconhecimento sobre a relevância de diagnosticar o câncer de mama em pacientes mais jovens.
Rastreamento
O médico Pedro Exman ressalta que é essencial desmistificar a ideia de que esse tipo de tumor não pode acometer mulheres antes dos 40. “Precisamos ampliar o acesso a tecnologias diagnósticas para esse público”, acentua o oncologista, que é coordenador do Grupo de tumores de mama e ginecológicos do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
A identificação precoce da doença é um divisor de águas. Quando o câncer é descoberto nos estágios iniciais, o tratamento pode ser mais eficaz e menos agressivo, preservando a qualidade de vida. Apesar de avanços em algumas áreas, como o acesso a mamografias gratuitas no Brasil e a ampliação de testes preventivos para câncer colorretal, os especialistas destacam que a América Latina ainda enfrenta desafios estruturais significativos no combate à doença.

