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Declínio cognitivo acelerado

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Glicemia descontrolada aumenta risco cognitivo

Escrito por: Fernanda Ortiz

Com o envelhecimento, o cérebro passa por alterações estruturais e funcionais que podem levar ao declínio cognitivo. Isso significa que ocorre uma redução gradual das capacidades mentais, como memória e atenção. Entre os fatores de risco que intensificam esse processo estão aspectos biológicos e fatores externos, como sono insuficiente, sedentarismo, estresse e obesidade. Recentemente, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) identificou que mulheres acima dos 50 anos são mais suscetíveis do que os homens a terem declínio cognitivo acelerado quando a glicemia não é controlada.

O declínio cognitivo pode ocorrer como um processo natural do envelhecimento em razão de alterações no sistema nervoso central. Entretanto, para verificar também se havia uma correlação com o diabetes, o estudo analisou 1.752 homens e 2.232 mulheres com idade ≥ 50 anos. Todos os participantes faziam parte do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA), conduzido de 2004 a 2012 na Inglaterra.

Os pontos de interesse foram o desempenho nos domínios cognitivos de memória, função executiva e orientação temporal, bem como pontuação global de cognição. “Os participantes foram classificados como sem diabetes, com diabetes e com glicemia controlada e com diabetes e com glicemia não controlada de acordo com o diagnóstico médico, uso de medicamentos hipoglicemiantes e níveis de hemoglobina glicada (HBA1c)”, descrevem os autores.

Ao comparar os dados dos participantes, os pesquisadores constataram que o declínio cognitivo ocorreu de forma mais acelerada em mulheres com diabetes e sem o controle adequado da glicemia. Já entre os homens, não foi observada essa associação, seja com glicemia controlada ou não. Os autores observam, curiosamente, que não foi identificada perda de memória embora seja o primeiro indício de declínio cognitivo. Por outro lado, foram verificados declínio na cognição global e prejuízos nas funções executivas que envolvem controle do planejamento e realização de ações e pensamentos.

Possíveis causas

De acordo com os autores, fisiopatologicamente o declínio cognitivo acelerado em mulheres com glicemia descontrolada está relacionado à presença de fatores inflamatórios decorrentes da hiperglicemia crônica. Esta condição pode levar a alterações em estruturas como o hipocampo e o córtex pré-frontal. Neste caso, a atrofia cerebral causada pela glicemia descontrolada tende a ser estabilizada pelo controle glicêmico, uma vez que a insulina atua na manutenção do desempenho cognitivo.

Outra explicação é a relação do diabetes tipo 2 com distúrbios cardiometabólicos. Assim, o fato de as mulheres geralmente apresentarem maior circunferência abdominal e frequência de eventos cardiovasculares pode resultar em piores consequências cognitivas. Os autores concluem que o controle glicêmico pode contribuir para a manutenção da função executiva e da cognição global, especialmente em mulheres.

Esses achados destacam a importância da implementação de programas de promoção da saúde pública. Essas ações devem envolver diagnóstico precoce do diabetes, adesão do paciente ao tratamento e ações preventivas para evitar possíveis complicações decorrentes da doença, incluindo o declínio cognitivo. O artigo ‘Sex differences in the trajectories of cognitive decline and affected cognitive domains among older adults with controlled and uncontrolled glycemia’ foi publicado em julho de 2024 no The Journals of Gerontology Series A – doi: 10.1093/gerona/glae136.

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