O parto prematuro, definido como idade gestacional inferior a 37 semanas, é uma das principais causas de mortalidade em bebês prematuros e crianças menores de cinco anos. Além de sua associação com a mortalidade, o parto prematuro está ligado a uma infinidade de morbidades. Dentre elas estão síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular, displasia broncopulmonar, enterocolite necrosante, retinopatia de prematuridade e leucomalácia periventricular. Estudos recentes têm sugerido algumas associações entre morbidades da prematuridade e a microbiota intestinal, particularmente em casos de enterocolite necrosante e sepse.
Já é consenso científico que a microbiota intestinal desempenha um papel crucial tanto como uma barreira contra bactérias e toxinas patogênicas quanto na digestão e absorção. De acordo com um artigo científico desenvolvido por pesquisadores de Taiwan, bebês prematuros são particularmente vulneráveis à disbiose devido ao seu nascimento precoce, assim como ao uso prolongado de antibióticos, suporte de ventilador mecânico e fatores ambientais.
“A detecção precoce do microbioma no intestino de bebês prematuros revela colonização inicial por microbiomas patogênicos e associados a hospitais, incluindo Staphylococcus, Enterococcus spp. e Klebsiella spp”, revelam os autores. Em contraste, bebês a termo abrigam predominantemente microbiomas de origem vaginal, materna fecal ou cutânea, dominados por Lactobacilli spp. ou Bifidobacterium spp. Consequentemente, a suplementação probiótica tem sido usada há anos em cuidados neonatais para prevenir morbidade e mortalidade, particularmente em enterocolite necrosante e sepse.
Métodos
O estudo retrospectivo examinou bebês de peso extremamente baixo ao nascer (ELBW, na sigla em inglês) em unidades de terapia intensiva neonatal de 2017 a 2021. A mortalidade e os resultados relacionados ao pré-termo foram comparados entre bebês que receberam probióticos e aqueles que não receberam. Além disso, foram realizadas análises de subgrupos com base no tempo de início do probiótico: grupos precoces (≤14 dias), tardios (>14 dias) e não probióticos.
O estudo incluiu 330 bebês ELBW: 206 receberam probióticos (60 cedo, 146 tarde), enquanto 124 não receberam. A suplementação probiótica foi associada à menor mortalidade geral e à diminuição da mortalidade por enterocolite necrosante ou sepse de início tardio (NEC e LOS, respectivamente, na sigla em inglês). “Os primeiros probióticos reduziram a mortalidade geral, a mortalidade relacionada a NEC/LOS e a mortalidade não relacionada a NEC/LOS”, descrevem os autores.
Os probióticos tardios diminuíram a mortalidade geral e a mortalidade relacionada a NEC/LOS. Ademais, o uso precoce de probióticos também acelerou a realização completa da alimentação enteral. Em conclusão, os autores afirmam que a suplementação probiótica reduziu a mortalidade e melhorou a tolerância à alimentação em bebês prematuros. “Estabelecer diretrizes para o uso de probióticos nessa população é crucial”, acentuam. O artigo ‘Impact of clinical use of probiotics on preterm-related outcomes in infants with extremely low birth weight’ foi publicado em 2024 na revista Nutrients – doi: 10.3390/nu16172995.

