Os recentes avanços terapêuticos têm mostrado uma compreensão crescente do papel do microbioma humano na saúde e na doença. No entanto, revisões abrangentes que integram os diversos efeitos terapêuticos dos probióticos em seres humanos têm sido limitadas. Por isso, pesquisadores coreanos desenvolveram uma ampla revisão científica sobre ensaios clínicos randomizados e meta-análises sobre o tema.
De acordo com os autores, essa revisão fornece uma visão abrangente dos principais desenvolvimentos em intervenções probióticas. “Evidências emergentes apoiam a eficácia de cepas e combinações probióticas específicas no tratamento de uma ampla gama de distúrbios”, relatam. Essas evidências envolvem desde doenças gastrointestinais e hepáticas até condições dermatológicas, vaginose bacteriana, transtornos mentais e doenças bucais.
“Discutimos a compreensão crescente das conexões microbioma humano-órgão subjacentes aos mecanismos de ação probiótica”, acentuam os autores. A revisão aborda, ainda, os desafios na padronização de metodologias de pesquisa probiótica e enfatiza a importância de considerar variações individuais na composição do microbioma e na genética do hospedeiro.
Além disso, os pesquisadores exploraram conceitos emergentes como o eixo oral-intestino-cérebro e direções futuras, incluindo perfil de microbiota de alta resolução, estudos de interação hospedeiro-microrganismo, modelos organoides e aplicações de inteligência artificial em pesquisa probiótica. “No geral, esta revisão oferece uma atualização abrangente sobre o estado atual dos probióticos terapêuticos em vários domínios da saúde humana”, relatam.
Detalhamento
Os autores detalham, por exemplo, estudos que mostram como a microbiota intestinal contribui para a fisiopatologia da obesidade e no desenvolvimento do sistema imunológico desde o nascimento. Além disso, citam extensa pesquisa sobre o microbioma humano que redefiniu os termos como eixo intestino-cérebro, eixo intestino-fígado, eixo intestino-pele, eixo intestino-vagina, eixo oral-intestino e eixo oral-intestino-cérebro. “Em resumo, esses eixos enfatizam a comunicação bidirecional entre o hospedeiro e a microbiota em órgãos específicos”, definem.
De acordo com os autores, essas estruturas facilitaram o desenvolvimento de probióticos visando órgãos como cavidade oral, fígado, pele, urogenitais e cérebro. “Muitos estudos abordam o intestino como a origem desses eixos ou visando o intestino e órgãos específicos simultaneamente para efeitos multimodais”, acentuam.
Resultados
Em conclusão, os autores argumentam que o campo da pesquisa probiótica fez avanços significativos nos últimos anos, oferecendo caminhos promissores para intervenções terapêuticas em vários domínios da saúde. Em geral, evidências de ensaios clínicos apoiam a eficácia dos probióticos no manejo de condições como certos distúrbios gastrointestinais, disfunções hepáticas, doenças autoimunes da pele, infecções vaginais, aspectos da saúde mental e doenças orais, embora alguns resultados permaneçam mistos.
“O conceito emergente do eixo oral-intestino-cérebro ressalta a interconexão de comunidades microbianas em todo o corpo e destaca o potencial de intervenções probióticas direcionadas para ter efeitos de longo alcance na saúde humana”, sinalizam. O artigo de revisão ‘Recent advances in therapeutic probiotics: insights from human trials’ foi publicado em 2025 no periódico Applied and Industrial Microbiology.

