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Dificuldades de autonomia do sono

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Cama compartilhada interfere na autonomia do sono

Escrito por: Fernanda Ortiz

A cama compartilhada, uma prática em que pais e filhos dividem o mesmo espaço para dormir, vem ganhando destaque nas discussões sobre criação e vínculos emocionais. Enquanto algumas famílias defendem esse costume como uma forma de aconchego, de fortalecer conexões e facilitar a amamentação, especialistas alertam para riscos de segurança e possíveis dificuldades na autonomia do sono. O equilíbrio dessa estratégia pode ser fator importante para o autorregulamento e o desenvolvimento saudável da criança.

De acordo com o neurocirurgião André Ceballos, diretor técnico do Hospital São Francisco (SP), a decisão de compartilhar a cama deve ser pautada em dois pilares fundamentais: a segurança física da criança e a saúde do sono de toda a família. “A cama compartilhada pode ser uma ferramenta de acolhimento e segurança emocional. No entanto, ela se torna um problema quando deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser a única forma de a criança dormir por falta de autonomia”, esclarece o especialista em desenvolvimento infantil.

Segurança

Recém-nascidos não devem dormir em cama compartilhada, pois essa prática está associada a um aumento significativo de eventos graves. Entre os exemplos estão a Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI) e a asfixia acidental durante o sono. “A presença de adultos na mesma cama pode levar a situações de sufocação por compressão, uso de roupas de cama macias, travesseiros ou cobertores, além do risco de sobreposição corporal involuntária”, observa o neurocirurgião.

Por esse motivo, organizações de saúde recomendam compartilhar o quarto, mas não a cama. “O recém-nascido deve dormir em um berço próprio ou co-sleeper (berço acoplado a cama). Essa estratégia reduz eventos adversos e promove um ambiente de sono mais seguro”, comenta. Além disso, facilita a amamentação noturna, fortalece o vínculo e regula o sono do bebê que, juntos, contribuem para o desenvolvimento saudável. Com crianças um pouco mais velhas, o ponto de atenção surge quando não conseguem dormir sozinhos em nenhuma circunstância. Para o especialista, isso pode indicar dificuldades de autonomia do sono e da regulação emocional.

Transição gradual

O especialista afirma que o sono de qualidade é um aprendizado. Para pais que dormem em cama compartilhada é natural chegar um momento em que a criança vai precisar entender que o seu quartinho também é um lugar seguro. “Paralelamente, se os pais estão exaustos ou se o casal não tem mais o seu momento de intimidade também é um sinal de que uma mudança é necessária”, acentua. Para pais que desejam fazer a mudança para outra cama ou quarto, o processo deve ocorrer sem rupturas bruscas, respeitando o tempo e o bem-estar dos pequenos.

Diálogo ajuda muito!

  • Converse com a criança – Alguns pais podem subestimar o valor de uma conversa sincera com os filhos. “Por menores que sejam, verbalizar algo que vai acontecer os ajuda a compreender melhor a situação. Explique que a criança terá o próprio espaço para dormir, reforçando que isso é um passo importante do crescimento e não um afastamento dos pais”, destaca o especialista.
  • Mudança progressiva – É muito comum que crianças apresentem choro ou tentem resistir ao sono nos primeiros dias. Amenizar as dificuldades na autonomia do sono exige consistência, rotina e alterações graduais nos hábitos. “A sugestão é incluir a criança na mudança de local, na escolha da roupa de cama, do pijama ou do ursinho para dormir. Isso aumenta o sentimento de pertencimento”, sugere o médico.
  • Tenha paciência e constância – Os primeiros dias podem ser desgastantes tanto para os pais como para as crianças. Entretanto, é importante manter a calma e evitar broncas ou punições durante esse processo. “A criança precisa sentir que está segura e amparada, mesmo diante de uma mudança. Quando os pais reagem com irritação ou impaciência, o sono pode se tornar um momento de tensão”, orienta.

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